Com mais de 1,1 milhão de votos em oito disputas, Valadares Filho é, sim, uma liderança

Valadares Filho: para renascer das cinzas

Claro: uma liderança que acaba de ficar sem mandato e com três derrotas seguidas em disputas para a esfera Executiva. Mas, apesar disso, o saldo de votos da carreira do deputado federal Valadares Filho, PSB, que acaba de perder a eleição de governador de Sergipe em segundo turno, é positivo. Ele obteve em oito votações de seis disputas – houve duas de segundo turno - 1.177 milhão de votos dos sergipanos.

Não se sabe ao certo em que vai dar essa tal de positividade. E nem se ela lhe conforta. Mas a sua posição no território político lhe permite um começar de novo num momento em que a política de Sergipe põe um fim definitivo em carreiras brilhantes, como as do próprio pai dele, senador Antonio Carlos Valadares, e de Jackson Barreto.

É preciso levar em conta que Valadares Filho perde uma eleição numa quadra em que, além da aposentadoria destes dois, tem sacramentadas as saídas de cenas, por exaustão, de figuras como João Alves Filho, Albano Franco, Maria do Carmo – sem se falar aqui em Marcelo Déda e José Eduardo Dutra, por morte.

Jovem, com 38 anos, Valadares Filho sentirá o golpe de perder três eleições seguidas? Foram duas para prefeito de Aracaju e essa agora, de Governo do Estado. É possível que sim.  

É provável que Valadares Filho, como aquele cachorro mordido por cobra que ganha fobia a linguiça, não reúna força e entusiasmo para tentar a sua quarta eleição majoritária em 2020, o que seria a sucessão de Aracaju - ainda mais porque a eleição de Belivaldo Chagas fortalece ainda mais o projeto de Edvaldo Nogueira.

E também porque, apesar desta suposta liderança que alcança Valadares Filho, ele tem na sua base um problema ruim: o seu PSB sai fraco da eleição proporcional, ao eleger apenas dois deputados estaduais, nas pessoas de Luciano Pimentel e do primo Rodrigo Valadares, e nenhum federal – Fábio Henrique, PDT, que se elegeu por sua coligação, não deve lhe seguir a liderança.

Mas, seja lá qual a for a opção futura de Valadares Filho, é claro que ele não vai parar por aqui. Chato lhe será ter de esperar até 2022 para tentar retomar seu mandato de deputado federal, o que lhe ocorreria aos 42 anos. Até lá, quem será que ele consegue reunir os cacos da oposição que deve se formar contra Belivaldo Chagas? Pelas rusgas que comprou com Eduardo Amorim e com André Moura, isso é pouco provável.

Valadares Filho está na política há 12 anos, envolvido diretamente em disputas. Elegeu-se deputado federal em 2006 com 85.450 votos e se reelegeu em 2010, com 95.680. Em 2012, disputou a Prefeitura de Aracaju e teve 113.932 votos, para ficar em segundo lugar ao perder para João Alves Filho. Em 2014, reelege-se deputado federal, com 68.199 votos.

Em 2016, ele teve 98.071 votos no primeiro turno na segunda disputa pela Prefeitura de Aracaju e 134.435 no segundo, ao perder para Edvaldo Nogueira, PCdoB. No último dia 7 de outubro, ele obteve 212.169 votos do primeiro turno, e neste domingo, 28, os 369.798 votos. Pode não consolá-lo, mas serve como um bom espólio. Neste domingo mesmo, ele disse que a partir de janeiro bota o pé na estrada e vai ser um duro fiscal de Belivaldo Chagas. Sem mandato de deputado federal, essa dureza poderá não ser tão dura assim.

JL POLÍTICA

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